Que tipo de líder você é ou tem na sua equipe?

Que tipo de líder você é ou tem na sua equipe?

Que tipo de líder você é ou tem na sua equipe?

Por Marina de Mazi*

Você e dois amigos descem um rio numa canoa a remo. Eis que a correnteza começa a ficar turbulenta e puxá-los para uma queda d’água, mesmo depois que vocês perceberam e começaram a remar no sentido contrário.

Qual a sua reação?

  1. Tenta remar ainda mais forte e de forma coordenada com os amigos;
  2.  Reza por um milagre;
  3. Amaldiçoa quem teve a ideia de fazer esse passeio.

Se você escolheu a opção 1, provavelmente conseguiria influenciar seus amigos para o objetivo comum de se salvarem – agindo como equipe- e exercendo o papel de um líder. Isto aumentaria sua chance de escapar da queda.

Nada impede que você também reze ou resmungue enquanto reme, mas só sobreviverá se o grupo enfrentar a situação, em vez de cair no desânimo, na raiva ou numa esperançosa passividade. O que muda a situação é a ação motivada pela atitude de visualizar o resultado e mobilizar a equipe.

Esta reflexão está relacionada ao conceito de “resiliência”, que, segundo a Física, é a propriedade de um material retomar sua forma original depois de deformado. Em psicologia, é a capacidade de superar obstáculos de maneira produtiva, ou seja, com resultados satisfatórios e o menor gasto de energia (ou recursos).

Uma das diferenças entre profissionais de sucesso e aqueles que fracassam em seus objetivos é a forma de lidar com as adversidades. O sucesso está diretamente ligado à capacidade de enfrentar, processar e solucionar dificuldades que surgem inesperadamente na carreira ou na vida pessoal. Uma pessoa  pode ser brilhante no que faz e até exercer controle sobre suas emoções, mas se não tiver “resiliência” para enfrentar a frustração, os “nãos” e as broncas, a falta de recursos, a incompetência de pessoas e instituições, as reclamações dos clientes, os conflitos, a demissão, as exigências dos acionistas e tantos outros obstáculos que fazem parte da vida , certamente terá menos chances de conseguir bons resultados. Nessa mesma situação, manter-se entusiasmada e focada nos resultados é que diferencia as pessoas de sucesso: a competência de lidar com as adversidades.

Paul Stoltz, especialista em liderança, resolveu medir essa característica, depois de estudar por mais de vinte anos os motivos que levam profissionais inteligentes e sensíveis ao fracasso profissional. Ele descobriu que, na maioria dos casos, a dificuldade em lidar com adversidades é a grande vilã.

Quociente de Adversidade 

Segundo Stoltz, o sucesso está diretamente ligado à capacidade de enfrentar, processar e solucionar dificuldades que surgem inesperadamente na carreira ou na vida pessoal. “Você pode ser brilhante no que faz e gerir muito bem as suas emoções, mas, se o seu mundo desmorona quando se depara com uma situação adversa, estará a comprometer, certamente, o seu desenvolvimento profissional e pessoal”, afirma. Com base nisso, ele criou o termo Quociente de Adversidade (QA), em analogia ao Quociente Intelectual (QI) e ao Quociente Emocional (QE).

O pesquisador concluiu que existem três estilos de resposta às adversidades (três tipos de líderes): o alpinista, o campista e o desistente.

Líder Campista

  • O campista é aquele que se contenta em subir apenas uma parte da montanha e logo monta seu acampamento.
  • Esse tipo de líder, segundo o pesquisador, representa 80% da população.

Líder Desistente

  • O desistente, ao ver a montanha de perto, nem começa a escalar.

Líder Alpinista 

  • O líder alpinista só se realiza ao chegar no topo ou o mais próximo possível disto.

Em situações de muita pressão, Stoltz observou que as pessoas tendem a regredir: o alpinista vira campista e o campista desiste. Mas o alpinista continua acreditando que há um jeito de chegar mais perto do topo. Você deve conhecer líderes alpinistas, que sonham em ter uma equipe de alpinistas. E também já deve ter trabalhado com um gestor ou com colegas desistentes, que puxam o grupo para baixo.

Somos influenciados pelo nível de resiliência das pessoas que nos rodeiam. Sem percebermos, nossa motivação vai crescendo ou é minada de acordo com o ambiente em que estamos.

Por isso, o líder tem um papel missionário. Além de inspirar a equipe com seus sonhos e sua visão de futuro, precisa estar energizado e entusiasmar as pessoas à sua volta. Resumindo: deve ser um alpinista. Acreditar que é possível ir mais longe. E motivar sua equipe a escalar até onde for possível.

Os estudos e artigos sobre esse assunto vêm crescendo expressivamente. As pesquisas começaram com crianças em situação de risco, vítimas de desastres, sobreviventes de guerra, principalmente em campos de concentração.  No livro “Em Busca de Sentido”, o psicólogo Viktor Frankl, relata como sobreviveu ao campo de concentração na Segunda Guerra focando seu pensamento em uma razão de viver e nos projetos que realizaria fora dali.

A Psicologia Positiva, cujo principal representante é Martin Seligman, tem estudado as pessoas de sucesso e o que fazem para obter e manter um desempenho excepcional. Estes estudos apontam para a importância das crenças e significados, ou seja, da percepção que as pessoas têm sobre os acontecimentos.

Não por acaso, é mais comum encontrarmos entre os grandes líderes aqueles que enfrentaram dificuldades na juventude e infância, do que os que tiveram uma trajetória mais fácil. E entenda-se como dificuldade não apenas as restrições materiais ou afetivas. Aprender a lidar com a frustração da rotina no começo da carreira e a valorizar a persistência e o esforço para a realização dos seus sonhos também é um caminho para desenvolver a resiliência e a maturidade. Isso serve para os pais que pensam ser sua obrigação cuidar sempre dos filhos – inclusive já adultos, minimizando os obstáculos que enfrentam e proporcionando-lhes o máximo de proteção e conforto.

O Quociente de Adversidade é a expressão da resiliência humana e está baseado na forma como percebemos e lidamos com desafios. Pessoas com um maior autoconhecimento e que assumem responsabilidade, geralmente têm um QA maior. Elas não culpam os outros pelas situações adversas, mas partem para uma solução. Não encaram contratempos com desencorajamento ou irritação. Acreditam que problemas ocorrem por força das circunstâncias e, mesmo que tenham origem em suas próprias falhas, não ficam prostradas remoendo suas deficiências, fazendo-se de vítimas ou lamentando seu destino. Enfim, pessoas com alto QA veem as dificuldades como limitadas na profundidade e duração (“Isto também passará”), o que permite ações rápidas e eficazes. Em síntese, elas não ignoram o problema, mas também não ficam retidas nele.

Que tipo de líder você é ou tem em sua equipe? Está motivado ou motivando as pessoas a escalarem o mais alto possível? Acha que o importante é montar o acampamento o quanto antes? Ou pensa que o melhor mesmo é ficar tranquilo na planície?

 

*Marina de Mazi é psicóloga, Senior Action Learning Coach pelo WIAL, Coach e facilitadora na Syntese

 

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