Pertinente o texto do professor português José Baldaia. Profundo pesquisador dos assuntos relacionados à inovação empresarial. Vale conferir!
A influência de poucas em muitos. A avaliação do potencial de uma pessoa não deve ser feita sem definirmos em que contexto o seu potencial vai ser posto à prova. Eu posso ser introvertido ou extrovertido, eu posso ser um especialista ou um líder, mas naturalmente, numa sociedade mais aberta e diversificada culturalmente, o meu potencial pode ser posto em causa a qualquer momento. Eu sempre acreditei que uma boa equipa supera “quase sempre” em eficácia a capacidade de um indivíduo isolado por muito bom que este seja.
Provavelmente, um indivíduo sozinho, mesmo sendo muito talentoso, é capaz de cometer mais e maiores falhas que uma boa equipa, porque sozinho a sua capacidade crítica é menor. As equipas são fundamentais numa organização mas só funcionam bem se houver uma boa liderança e se a sua constituição for adequada aos projetos a que se dedicam. Uma liderança, que convém não esquecer, quase sempre é substituída nas organizações com regularidade. Mesmo quando uma equipa ou equipas são constituídas por grandes figuras, incluindo alguns cientistas, é sempre bom que a diversidade e a interdisciplinaridade contaminem essas equipas.
“Quando Dunbar analisou a transcrição da reunião, ele descobriu que a mistura intelectual gerava um tipo distinto de interação que forçou os cientistas a confiar em metáforas e analogias para se expressarem. (Isso porque, ao contrário do grupo E. coli , o segundo laboratório não tinha uma linguagem especializada que todos pudessem entender.) Esta abstração revelou-se essencial para a resolução de problemas, quando passaram a incentivar os cientistas a reconsiderar os seus pressupostos. Ter que explicar o problema para outra pessoa obrigou-os a pensar, se apenas por um momento, como um intelectual sobre as margens, cheias de auto ceticismo.É por isso que as outras pessoas são tão úteis: Eles colocam-nos fora de nossa caixa cognitiva.”
Nós como indivíduos somos mais ou menos inteligentes. A inteligência define a nossa capacidade de pensamento abstrato, raciocínio, aprendizagem, planeamento e tomada de decisão ou resolução de problemas ou a nossa capacidade de lidar com a diversidade. E como equipas? “É sabido que para que as equipas funcionem e realizem no melhor da sua capacidade, elas devem concentrar-se na estrutura, processos, liderança e com o devido apoio da organização e contexto .
O que a pesquisa agora indica, porém, é que a inteligência coletiva em equipas pode levar a um melhor desempenho. Temos provas de que falar à vez entre os membros do grupo, a proporção de mulheres numa equipa e sensibilidade social são os elementos que levam a uma maior inteligência da equipa… A pesquisa mostra que as pessoas no poder, especialmente os homens, falam mais e interrompem mais… As mulheres usam, pelo menos em algum grau, diferentes estilos de trabalhar e de comunicação, que muitas vezes são mais sociais e comunitários… Sensibilidade social é a capacidade de descodificar sinais não-verbais e ler as emoções dos outros, algo que as pessoas que têm empatia geralmente fazem bem…”
Apesar de poderem surgir problemas de comunicação e compreensão em grupos onde existe grande diversidade, seja ela de sexo, racial, étnica, ou cultural, as equipas acabam por tornar-se “mais sociais”, porque trazem uma grande variedade de perspetivas, experiências e atitudes para o conjunto. As equipas de trabalho compostas por membros competentes com origem diversificadas funcionam mais eficazmente do que os grupos de trabalho que são homogéneos, ou compostas principalmente por membros com formações semelhantes. Dificilmente nas equipas homogéneas, um dos seus elementos sai fora da sua caixa cognitiva. Quando combinados, os diferentes membros das equipas geram uma dinâmica de equipa única que é mais abrangente em vários sentidos e, portanto, melhor equipada para lidar com problemas e desafios complexos.
“Na Microsoft reconhecemos que os EUA e diversos mercados globais representam enormes fontes de valor no local de trabalho e mercado. O crescimento de diversas populações em todo o mundo e o potencial desses segmentos torná-los alvos importantes como futuros empregados. Até o ano de 2050, 85% dos participantes no mercado de trabalho dos EUA serão as pessoas de cor e mulheres. Além disso, as regiões em desenvolvimento, como China, Brasil, Índia e África, formam uma parte crescente da população mundial. Ao aumentar a diversidade da nossa força de trabalho, vamos criar uma equipa que sem esforço projete os produtos com as necessidades destes clientes em crescimento, na mente.”
A grande maioria das organizações está passar ou irá passar em breve por este confronto com a diversidade e a melhor maneira de lidar com ele é aprendendo e integrando os valores e conhecimento que os novos ambientes transportam. Todos precisamos de sair da nossa caixa cognitiva e procurar compreender o conteúdo da caixa dos outros.
Fonte. Saiba +: http://www.josebaldaia.com/intuinovare/
É designer, especilista em Branding (Gestão de Marcas) e Design Thinker. É responsável pelos projetos de inovação e Design da Syntese Desenvolvimento Humano