A importância de desenvolver a autonomia – da escola às empresas

A importância de desenvolver a autonomia – da escola às empresas

A autonomia é um aspecto importante do desenvolvimento humano e é uma das facetas da tendência atualizante, pressuposto da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), que orienta os treinamentos corporativos oferecidos pela Syntese. 

“Tendência atualizante é a convicção de que todo ser vivo busca o melhor para si. Tudo no universo está em formação e tem uma tendência formativa. Mas, ao longo da vida, aprendemos a não confiar na nossa atualização e nos desvinculamos de nós mesmos. Então, muitas vezes, encontramos como forma de atualização o ato de fazer escolhas tidas pelos outros como as certas, as melhores ou as mais adequadas. 

O resultado é uma insatisfação coletiva. Quem “obedece” não é feliz, já que não pode ser autêntico, genuíno e agir de acordo com suas necessidades e vontades. Quem “ordena” também é infeliz, porque vive o desgaste de tentar colocar o outro na rota que julga ser a melhor para ele.

(…)

No entanto, quem confia na ACP sabe que o desenvolvimento do outro só acontece quando facilitamos as condições para o outro evoluir – e não quando tomamos decisões pelo outro.” Extraído do livro “Facilitação – Um Jeito de Ser

A autonomia também é um dos princípios que rege o trabalho na Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos Salles, em Heliópolis (São Paulo), reconhecida como escola inovadora graças à gestão de Braz Nogueira, que foi diretor de 1995 a 2005. 

Lá, as salas de aula convencionais foram substituídas por grandes salões com até 75 alunos cada, que são orientados por três professores.

A autonomia dos estudantes é um assunto levado tão a sério que há comissões mediadoras dos salões, compostas por 8 a 10 alunos, via eleição direta entre eles. As comissões cuidam das relações entre os estudantes, entre eles e os professores, com os assuntos da escola e da comunidade. 

“As comissões têm muito poder, inclusive o de convocar pais e professores. Se dizemos que eles devem participar da gestão escolar, temos que bancar”, afirma Nogueira. Ele diz que as comissões nasceram a partir do problema da indisciplina, uma vez que os próprios alunos eram os mais prejudicados por ela. “Se os alunos são os que mais sofrem com a indisciplina, temos que chamá-los para ajudar a resolver a questão”, diz. 

Os comitês têm um modo democrático e empático de funcionar: primeiro, é feita a contextualização do assunto. Em seguida, há uma rodada de perguntas e é dada a palavra à pessoa convocada. Depois, todos os participantes dizem uma qualidade e um defeito da pessoa convocada. Segundo Nogueira, isso facilita a aproximação. Por fim, são feitos acordos que são registrados. Se os acordos não são cumpridos, a comissão pode fazer uma nova convocação. 

“A gente não está fazendo uma experiência, é participação efetiva dos alunos. É aprendizagem de vida, é queda de muros”, afirma o ex-diretor. 

Essas comissões permitem aos estudantes exercitar a cidadania e desenvolver a autonomia. “Se a pessoa desenvolveu o princípio da autonomia, ela vai ser ela em qualquer lugar. O autônomo vai existir como sujeito em qualquer situação. É importante aprender as estratégias para ser ele mesmo”, reflete.

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