Entenda os diferenciais da facilitação pela Abordagem Centrada na Pessoa

Entenda os diferenciais da facilitação pela Abordagem Centrada na Pessoa

Alexandre Moreno, fundador da Syntese, é pioneiro no uso da facilitação ACP – Abordagem Centrada na Pessoa em treinamentos corporativos. Na entrevista abaixo, ele explica como ela funciona e como a Syntese atua para apoiar os RHs no desenvolvimento humano.

O que é a facilitação em treinamentos corporativos?
É criar condições de ajuda para que o participante dos treinamentos consiga encontrar por si próprio os melhores caminhos de aprendizagem. Nós, da Syntese, facilitamos o processo trazendo método, estrutura, processos de aprendizagem que favoreçam o desenvolvimento do grupo, mas fazemos isso por meio da ACP – Abordagem Centrada na Pessoa. Assim, o grupo cuida do conteúdo e a gente cuida da formatação, dos métodos e desse jeito de facilitar que é mais acolhedor e humanizado.

Quais são as principais diferenças entre a facilitação pela ACP e outros treinamentos?
Na ACP, a gente coloca o participante no centro do processo de aprendizagem. O mais importante não é o conteúdo trazido pelo professor e, sim, o que o grupo traz. Outra diferença é na metodologia, que é mais participativa, ágil e dinâmica. Não segue o modelo de alguém falando e os outros escutando. Há uma mudança do eixo, o centro são os participantes.

Você é autor do livro “Facilitação – Um Jeito de Ser”. Por que diz que a facilitação é um jeito de ser e não de fazer?
O livro fala, basicamente, da postura de quem facilita: tem que ser um jeito de ser, de sustentar as coisas que acontecem no grupo, a energia que tem no grupo. É necessário ter a crença na tendência atualizante, ou seja, no fato de que o grupo quer o melhor para si. Além disso, é preciso se identificar com os princípios da ACP postulados pelo psicólogo humanista Carl Rogers. São eles:

  • compreensão empática;
  • aceitação positiva;
  • autenticidade.

É algo que pode ser extrapolado para além do mundo corporativo?
Com certeza. À medida em que você melhora a relação com você mesmo, à medida em que é mais empático, que é congruente com suas dores e sensações, se aceita no que é, com suas limitações e possibilidades, você lida melhor com os outros. O autoconhecimento é uma fortaleza, ajuda nas relações humanas e a entender que todo mundo faz o que pode no seu melhor.

É um desafio apresentar a facilitação pela ACP para as empresas?
Sim, nem todo mundo entende, alguns acham que é tudo muito solto. Mas não é verdade. A diferença é que criamos juntos a proposta de treinamento, é uma construção coletiva – da empresa contratante que tem sua necessidade, de quem facilita a aprendizagem e dos participantes. É possível pensar junto sobre qual é a questão que está sendo demandada. Eu considero pretensão achar que eu sei o problema do outro e que posso resolvê-lo a partir da minha ótica, mas algumas empresas acham uma barreira a Syntese não oferecer produtos de prateleira. Nossas soluções são cocriadas.

Como é o processo de cocriação dos treinamentos?
Nós, da Syntese, nos reunimos com o RH, entendemos o problema e, junto com a área envolvida, pensamos em qual seria o melhor caminho para o treinamento. E trazemos ferramentas de cocriação, como design thinking, Canvas da facilitação, Action Learning. São muitas possibilidades. Por isso, não enviamos propostas às empresas sem antes conversar.

É possível mensurar os resultados?
Um dos maiores dilemas de RH é mensurar resultados tangíveis. É preciso ter em mente que o treinamento é um pedacinho da vida do colaborador dentro da empresa. Mensurar resultados de desenvolvimento a partir de um treinamento apenas é reducionista, pois é necessário considerar que ele é influenciado pelo líder, pela equipe, pela cultura corporativa, enfim, por muitos fatores. Assim, até os indicadores de desempenho são cocriados. O treinamento não pode ser visto como um evento porque a educação é um processo. Encarar o treinamento como processo ajuda o RH ou a área envolvida a entender que esse olhar deve demorar mais tempo. O processo de aprendizagem demanda tempo, energia, investimento e acompanhamento. É loucura do RH querer que os colaboradores sejam protagonistas e engajados se eles não podem decidir nada. O engajamento vem com a cocriação.

 

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