O Paradigma do “TEM QUE!”

“Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução;
por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se.”
Lauro de Oliveira Lima, educador brasileiro.

Quando observo algumas empresas e RHs, percebo a presença e consolidação de um paradigma que deve ser, no mínimo, discutido. Frequentemente, escutamos frases, como “Essa turma TEM QUE sair com tal comportamento modificado”, “Vocês TEM QUE garantir o resultado”; “Os participantes TEM QUE mudar no final do programa em tais comportamentos”, “Você TEM QUE provocar o grupo para tais aspectos”, “Esse participante está aquém daquilo que precisamos”. Essas são apenas algumas das frases que ouvimos, constantemente, quando vamos apurar o briefing com o cliente e também durante o processo em sala de aula.

Quando comparamos essas aparentes necessidades do negócio com a facilitação baseada na ACP, há um abismo. Como podemos garantir, em sã consciência, que alguém vá mudar algum comportamento ou apresente melhor desempenho apenas com um dia, dois ou alguns dias de treinamento? Não há milagre. Muitas vezes, o trabalho desenvolvido em sala de aula está bem estruturado, apresenta fio lógico, a facilitação acontece, mas o clima na empresa é ácido, o líder é autoritário e a empresa está sem rumo. Será que um treinamento e o facilitador garantirão mudança? Não há aprendizagem onde o “TEM QUE” predomina, onde a voz do julgamento é mais forte que o outro na sua integridade e potencialidade. Além disso, é essencial entender que Aprendizagem é processo! É todo dia. Não é evento.

Outro dia, durante um processo de aprendizagem, um facilitador me fez um questionamento: “Você não acha que a solução deles (no caso, a solução apresentada pelos participantes para um problema proposto) poderia ser melhor? Não poderiam ir além?”. Respondi: “O que é ir além? O quanto conhecemos da realidade e do repertório de cada um deles para fazer esse julgamento?”. O final dessa conversa rápida foi o silêncio.

Muitas vezes também é o silêncio que impera nas conversas que temos com os contratantes dos treinamentos, quando falamos sobre o “TEM QUE”. Os processos de aprendizagem na Syntese têm como premissa o princípio fundamental da ACP que é a crença na tendência atualizante, ou seja, na capacidade que cada indivíduo tem de evoluir por si só, a partir das suas próprias escolhas e experiências. É justamente por isso que tenho a convicção de que o desenvolvimento de pessoas promovido de maneira formal pelas organizações por meio de treinamentos, aplicativos, reuniões, etc, continua ativo, sempre, pois é processo. Processo de vida. Aprender é processo de vida. O “TEM QUE” acontecerá no desabrochar de cada indivíduo, ao seu ritmo, ao seu tempo, e não no momento determinado pelo contratante. O processo é contínuo.

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