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O Poder do Simples

Por Alexandre Moreno

No ano de 1757 uma Provisão Real proibiu a utilização do Tupi, no Brasil. Mas, foi apenas em 1759 que o Português se tornou definitivamente a língua oficial do país. Fora a língua portuguesa – há aproximadamente 180 outras línguas indígenas no Brasil, muitas ameaçadas de extinção.

Nossa língua oficial é resultado da transformação do latim vulgar (uma das variantes da língua romana) e do galego (falado na província da Galícia – hoje em território espanhol). Essas línguas sofreram muitas transformações ao longo do tempo, e só no século XIII foi publicado um texto mais próximo do que hoje consideramos a língua portuguesa. 

Nossa língua foi se transformando ao longo do tempo recebendo influências africanas, indígenas e outras tantas. Mas, mesmo com muitas mudanças, pois é viva e fluida, continua sendo português.

Olha eu aí vestindo minha roupa de karatê

Nasci e cresci na Zona Leste de São Paulo (olha eu aí na foto com a minha roupa vermelha de lutador de karatê). Um lugar que tem como língua oficial o Português.

As ruas eram calmas, as mulheres adoravam ficar sentadas no portão jogando conversa fora e a criançada ficava na rua até tarde brincando.

Entre tantas coisas divertidas havia uma deliciosa – o GELADINHO (conhecido também como chup chup ou sacolé, em algumas regiões do Brasil). Essa iguaria com gosto de infância é a mistura de Ki-Suco – marca de um produto que contém pó químico colorido que imita sabores de frutas – com água – de preferência potável. Potável é a água que podemos beber, diferente dos pós químicos. Esses ingredientes são colocados carinhosamente em embalagens plásticas e levados ao congelador. Após algumas horas, viram gelo – um dos estados físicos da água –  com sabor do pó químico de fruta da sua preferência. O geladinho ficava pronto após algumas horas – dependia da qualidade e potência da parte superior da geladeira das casas – e era distribuído pelas mulheres que adoravam ficar sentadas nas ruas jogando conversa fora – para seus filhos e filhas que amavam brincar e chupar geladinho sabor Ki-Suco. 

Matei a saudade desse sabor, recentemente. 

Estava com minha família sentado na escaldante areia da Praia Grande, litoral Sul de São Paulo, idioma oficial, Português. Quando surge um senhor simpático, com sua caixa de isopor e uma placa que me chamou atenção, ela dizia: Temos “Chuper Freeze Gourmet”. Fiquei pensando que raio seria aquilo? Mas, uma foto ao lado do anúncio do produto não deixava dúvidas e me jogava diretamente para dentro do congelador da cozinha da casa da minha mãe na ZL. Era ele, o querido Geladinho de Ki-Suco. Agora numa roupagem gourmetizada. Seu Clóvis, o vendedor, é brasileiro, portanto fala português. Assim, como meus amigos da rua, minha mãe e as mulheres que adoravam ficar sentadas na rua jogando conversa fora.

Seu Clóvis, brasileiro, por alguma razão e/ou influência entendeu que colocar palavras em inglês traria requinte, sofisticação e potencializaria a venda dos seus produtos. O que pode ou não ser verdade. O inglês é um idioma do ramo germânico, que foi levado para a região onde hoje é a Grã-Bretanha pelos povos da região da Alemanha, Dinamarca e Holanda. Esses povos, à época, falavam os dialetos anglo-frísio e saxão antigo, que originaram o inglês. Esse lindo idioma é a língua oficial de países como, Estados Unidos da América e Inglaterra. Não é a língua oficial do Brasil, da Praia Grande e tão pouco da rua na zona leste.

O geladinho do seu Clóvis, brasileiro, que tem português como sua língua mãe, utilizava a mesma fórmula de sucesso da minha mãe e das mulheres que adoravam ficar sentadas na calçada jogando conversa fora – em português – na Zona Leste. Seu Clóvis vende seus produtos na Praia Grande, litoral Sul de São Paulo, lugar onde predominam homens e mulheres nascidos no Brasil, e que naturalmente falam português. Entre essas pessoas está a minha mãe: Dona Marlene. Ela nasceu e cresceu entre a capital e o interior do Estado de São Paulo, onde estudou até o quarto ano primário. Concluindo essa fase de estudos por volta de 1958. Na escola ela aprendeu que sua língua nativa é o Português e foi alfabetizada nesse idioma . Onde também aprendeu a fazer geladinhos para ganhar alguns tostões e ajudar sua família financeiramente.

O Brasil do seu Clóvis, da Dona Marlene, das mulheres da calçada e dos meninos e meninas que adoravam brincar na rua chupando geladinho e da maioria das pessoas que frequentam a Praia Grande falam a língua portuguesa. Essa língua ao longo dos anos tem sido avaliada pelo governo federal e estadual, para saber se de fato sabemos entender o Português pelas diretrizes dos órgãos reguladores de qualidade do ensino do Brasil. 

Para isso, o Brasil escolheu como índice o Ideb que é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino. O Ideb é um indicador de qualidade educacional que combina informações de desempenho em exames padronizados (Prova Brasil ou Saeb) – obtido pelos estudantes ao final das etapas de ensino (4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio) – com informações sobre rendimento escolar (aprovação).

A avaliação de 2018 realizada com mais de 50 mil escolas (públicas e particulares – essas de forma opcional) revela que o ensino médio foi classificado no nível 2 de proficiência, ou seja, insuficiente. Em Matemática, 71,67% dos alunos estão nesse nível de aprendizado. Desses – acredite – 23% estão no nível zero. Em Português,  língua da Dona Marlene, Seu Clóvis e de outros 200 milhões de brasileiros, 70,88% dos jovens têm nível insuficiente de aprendizado, sendo que 23,9% estão no nível zero. Apenas 1,64% estão no nível adequado.

Observando esses números sinto um geladinho na espinha que congela a alma.

Sinto uma onda congelante e terrível que vem assolando o Brasil. Os números apontam a nossa imensa dificuldade com a língua mãe, deixando claro o terror do analfabetismo funcional –  que é a incapacidade de compreender textos e operações matemáticas simples e de organizar as próprias ideias para expressar, por exemplo, uma argumentação. Um analfabeto funcional não é necessariamente uma pessoa que não saiba ler nem escrever, mas sim um indivíduo que tenha dificuldades de compreender e utilizar a informação escrita e refletir sobre ela. ATENÇÃO estamos falando da língua mãe. Consegue imaginar o que acontece quando usamos outro idioma? Assim, tendo consciência dessa informação, por que os cérebros das empresas congelaram feito os geladinhos da Dona Marlene? Por que os RHs insistem em se distanciar das pessoas – mesmo sabendo que a letra H significa Humanos? Por que insistimos em construir muros ao invés de pontes? Por que tornamos complexo o que poderia ser simples? Qual o propósito da gourmetização da língua? Gourmetizar serve a quais interesses?

A minha vida na Zona Leste me ensinou algo valoroso – o poder do simples. Aprendi com meu bisavô, um senhor querido, brasileiro, autodidata, leitor apaixonado e contador de histórias, que a comunicação deve ser simples e abrangente. Ele dizia, em bom português “Devemos nos esforçar ao máximo para sermos entendidos por todos!”. 

Entendo que uma empresa é reflexo da rua que nasci e cresci na Zona leste de São Paulo, que nada mais é que uma amostra da sociedade. Assim, os números do IDEB, são números das empresas. E, se você quer uma empresa que aprende, tem a obrigação de falar a língua de todos. No caso das empresas estabelecidas em território brasileiro, o Português. Se a sua empresa tem escrito nos Valores, no Propósito ou na visão termos como inclusão, diversidade, espírito de equipe, respeito e ética, por que a persistência em construir muros com uma linguagem que afasta? Por que as áreas de RH e educação corporativa, cientes dessas diferenças, insistem em termos com o Life Long Learning e sua versão avançada gourmet Life Long Learners. 

Quando escuto esses termos fico congelado, dolorido e por vezes sinto um gosto amargo de pó químico sabor Ki-Suco uva vencido na boca. Se a língua tem como propósito criar pontes, por que não utilizamos Aprendizagem ao Longo da Vida e Aprendentes? Por que não escutar o meu bisavô Enéas e ser simples?

Nossa língua mãe nos ajudará a construir pontes entre Clóvis, Marlene, mulheres sentadas na rua, meninos e meninas brincando na rua, homens e mulheres da Praia Grande e outros 200 milhões de brasileiros. 

O gelo das relações será derretido e sentiremos apenas o calor do acolhimento. 

Essa é a minha congelante utopia sabor Ki-Suco uva. 

Qual é o sabor da sua?

Por Alexandre Moreno

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