Os desafios da educação para formação de lideranças

Flávio Roca e Alcielle dos Santos, à direita, no Núcleo Syntese

Os desafios da educação para formação de lideranças

“A escola do século XIX não cabe aos indivíduos do século XXI. Nesse desencontro, a gente cria um meio inovante para a educação.”

Alcielle dos Santos

Compartilhando dessa visão para a educação corporativa, a Syntese convidou Alcielle dos Santos, mestre em educação e doutoranda pela PUC-SP para apresentar a sua pesquisa sobre escolas inovadoras, objeto de seu doutorado.

“As mudanças passam pela gestão, não acontecem em sala de aula”, ela pontua. Por isso, o baixo nível de profissionalização dos gestores escolares é um desafio para a inovação na educação no Brasil, segundo Alcielle. “Nas escolas, em geral, não há planejamento estratégico e não há desenho de processos”, aponta.

Ela estuda três escolas específicas de São Paulo e suas lideranças inovadoras:

  • Colégio Campos Salles – Braz Nogueira
  • Colégio Elvira Brandão – Andrezza Amorelli
  • CIEJA Campo Limpo – Dona Eda (diretora por 20 anos, até 2018) e Diego Elias (atual)

Em sua pesquisa, ela identificou algumas características comuns aos gestores inovadores: eles têm planejamento estratégico, que ajuda, por exemplo, a identificar parceiros com sinergia e a manter a identidade da escola; são transparentes e procuram dar visibilidade às suas ações; querem deixar um legado e, com isso em vista, planejam sua sucessão.

Para um grupo de facilitadores, profissionais de RH, pessoas em transição de carreira e interessados no tema, ela também falou da educação integral, aquela que estimula o desenvolvimento por meio das cinco dimensões do indivíduo: cognitiva, física, cultural, emocional e social.

“A escola tradicional trabalha as três primeiras dimensões, mas escolas inovadoras se destacam nos aspectos social e emocional”, pontua.

Educação inovadora para desenvolver as lideranças do futuro

Ao lado de Flávio Roca, também professor e membro da Cipó Educação, uma cooperativa de professores que atua na formação de educadores e desenvolvida totalmente por cocriação, outra crença compartilhada com a Syntese.

Para Alexandre Moreno, fundador da Syntese, a sinergia é grande entre os trabalhos de Alcielle e o da consultoria, que promove a criação de ambientes de aprendizagem significativa nas organizações por meio da facilitação pela ACP – Abordagem Centrada na Pessoa.

“A escola e o mundo corporativo têm dores parecidas. As pessoas insistem em um modelo tradicional, de pessoas enfileiradas e conteúdo enlatado, mas cada um tem sua própria trilha de aprendizagem. Não há como ter inovação se o ambiente não favorece isso”, diz.

Essas reflexões já foram feitas por Moreno em seu livro “Facilitação – Um Jeito de Ser”: “Se a proposta educacional das escolas é formar alunos para a vida, para o mercado de trabalho, por que não os preparamos de uma forma mais ampla, compatível com os novos desafios da atualidade?”.

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